Na última semana, tive a oportunidade de participar de dois grandes eventos que reforçaram, mais uma vez, algo em que acredito muito: tecnologia é feita de conhecimento, comunidades e pessoas.
Foram dias intensos, cheios de conteúdo, networking, reencontros, descobertas e aquela sensação boa de estar exatamente onde eu deveria estar.
BSides São Paulo
Nos dias 16 e 17 de maio, aconteceu a BSides São Paulo, um dos maiores eventos do Brasil quando falamos de Segurança da Informação, hacking e cultura hacker.
E eu confesso: fiquei extasiada com a dimensão do evento.
Era praticamente impossível acompanhar tudo. A cada canto tinha uma trilha, uma conversa, uma oficina ou uma troca valiosa acontecendo. Trilhas de Red Team, carreira, OSINT, conteúdos voltados para lideranças e CISOs, além de diversos espaços técnicos, comunitários e educativos.
E não eram apenas palestrantes. Eram grandes nomes da área. Pessoas que respiram segurança da informação no dia a dia, que vivem isso na prática e que ajudam a fortalecer a cultura hacker no Brasil.
A verdade é que a BSides SP não foi apenas um evento. Foi uma experiência.
Tive a oportunidade de conhecer projetos incríveis, como o Projeto Cibernauta, uma iniciativa muito legal que produziu um livro em quadrinhos para ensinar cibersegurança para crianças.
Além da criatividade, o cuidado com a segurança das crianças foi, para mim, o ponto alto do projeto. Só quem já trabalhou com Security Champions sabe o quanto pode ser desafiador passar esse tipo de conteúdo até para adultos que nunca tiveram contato com o tema.
Agora imagina transformar isso em algo acessível, educativo e interessante para crianças? Achei genial.
Também vi o pessoal da Car Hacking Village jogando videogame em um carro de verdade. E sim, pasmem: dá para hackear carros.
Ver isso de perto é uma daquelas experiências que fazem a gente lembrar o quanto a segurança está presente em lugares que muita gente nem imagina. Segurança não está só no computador, no servidor, na nuvem ou no firewall. Ela está também nos dispositivos, nos sistemas embarcados, nos carros, nas casas, nos processos e nas escolhas que fazemos todos os dias. E como a cada dia nossos dispositivos são mais "smart" isso só aumenta.
Pude conhecer de pertinho as meninas da Womcy, um projeto que acompanho há muito tempo e do qual sou muito fã, uma iniciativa LATAM focada em desenvolver habilidades de segurança cibernética em mulheres.
Também revi velhos amigos e, claro, fiz novos. Essa é a magia dos eventos de tecnologia: a gente vai pelo conteúdo, mas volta também pelas pessoas.
Voltei cheia de ideias legais para implementar no GHC 2027. Aguardem.
E, como nem tudo são firewalls e threat intelligence, também gastei todo meu dinheirinho (como dizia o Pica-Pau) comprando livros no stand da Novatec, uma editora que entrega livros técnicos de altíssima qualidade.
Alô, Novatec, me nota.
Mais do que conteúdo, a BSides é um ponto de encontro. Um espaço onde profissionais de diferentes níveis, áreas e trajetórias se conectam. Pessoas de Red Team, Blue Team, GRC, privacidade, OSINT, liderança, estudantes, especialistas, palestrantes, comunidades e entusiastas dividindo o mesmo ambiente.
E isso tem um valor inestimável.
E ninguém reclama de evento com chopp, né? Aqui elevou o nível.
Cloud Summit Cerrado
Poucos dias depois, no dia 21 de maio, participei do Cloud Summit Cerrado — edição +Cybersecurity. E dessa vez, além de participante, tive a honra de representar o evento como embaixadora.
Antes mesmo do evento principal, também tive a oportunidade de participar do esquenta do Cloud Summit Cerrado, em uma live muito especial sobre carreira, desafios da área, comunidade de tecnologia e os desafios de ser mulher nesse mercado.
Pude compartilhar esse espaço com o professor Plínio, o que me deixou muito lisonjeada, porque o cara é uma fera.
Foi uma conversa muito rica, daquelas que a gente sente que precisava acontecer.
Falamos sobre trajetória, sobre ocupar espaços, sobre os desafios técnicos e emocionais da área, sobre a importância das comunidades e sobre como ninguém cresce completamente sozinho na tecnologia.
Para mim, participar desse esquenta teve um significado enorme.
Porque, além de falar sobre carreira e segurança, foi mais uma oportunidade de reforçar algo em que acredito profundamente: comunidade muda trajetórias.
Ter espaços de troca, acolhimento, referência e representatividade faz diferença. Principalmente para mulheres que estão entrando, tentando permanecer ou buscando crescer na tecnologia.
Eu cresci muito no meio das comunidades. Aprendi, fui acolhida, fui desafiada, fiz conexões e encontrei referências. Por isso, sempre que tenho a oportunidade de reforçar esse papel, eu faço questão.
Foi incrível poder estar ali representando, de alguma forma, a presença feminina na tecnologia e na Segurança da Informação em um dos maiores eventos de Cloud Computing, Inteligência Artificial e Cybersecurity do Centro-Oeste brasileiro.
E, além disso, ainda pude levar cupom de desconto para a galerinha, porque todo mundo ama um desconto.
O Cloud Summit Cerrado reuniu especialistas do mercado, profissionais de tecnologia, lideranças, entusiastas e grandes nomes de empresas como AWS, Microsoft e Google Cloud, em um dia inteiro de palestras, workshops, networking, cases reais e discussões sobre o futuro da computação em nuvem, da inteligência artificial e da segurança cibernética.
Todos os palestrantes foram de altíssimo nível, mas confesso que tenho meus favoritos.
Para mim, as rodas de conversa têm um poder de entrega que nem todo mundo percebe. Elas trazem uma troca mais próxima, mais real, mais viva.
E claro que eu, fã de carteirinha da AWS, pude aprender mais uma vez com a Gio Armani e o Flávio Pimenta.
Sem condições o tanto que essa galera sabe do assunto.
A Gio trouxe uma visão muito interessante sobre agents, e o Pimenta veio com um workshop de Kiro que explodiu a cabeça de muita gente. Foi aquele tipo de conteúdo que faz a gente sair pensando em possibilidades, aplicações e em como tudo isso já está moldando o futuro da tecnologia.
Conclusão
Participar desses dois eventos em uma mesma semana foi uma verdadeira imersão.
De um lado, a energia da comunidade hacker, a raiz da Segurança da Informação, a diversidade de trilhas e a força do networking técnico.
Do outro, uma visão estratégica sobre cloud, inteligência artificial, cybersecurity, mercado e tendências que estão moldando o futuro da tecnologia.
Saí desses dias com a mente fervilhando de ideias, novos contatos, novas referências e, principalmente, com a certeza de que ocupar esses espaços importa.
Importa como profissional de Segurança da Informação.
Importa como mulher na tecnologia.
Importa como alguém que acredita que conhecimento só faz sentido quando é compartilhado.
Eventos como a BSides SP e o Cloud Summit Cerrado mostram que a nossa área vai muito além de ferramentas, certificações e cargos.
Ela é feita de pessoas. De comunidade. De troca. De curiosidade. De coragem para aprender, ensinar, errar, evoluir e construir caminhos para quem vem depois.
E eu sigo feliz, grata e cada vez mais certa de que quero continuar ocupando esses espaços, aprendendo com eles e abrindo passagem para outras mulheres que também desejam fazer parte desse universo.