Eu acredito que segurança não é apenas sobre tecnologia ou sobre dados. Segurança é, acima de tudo, sobre pessoas.

Empresas são feitas de pessoas e, há muito tempo, especialistas apontam o fator humano como o elo mais vulnerável da segurança. Eu prefiro enxergar por outra perspectiva: pessoas conscientes, preparadas e capazes de cuidar do próprio bem-estar digital deixam de ser o elo mais fraco e passam a ser a primeira linha de defesa. É assim que uma verdadeira cultura de segurança é construída.

Minha jornada na cibersegurança nasceu da curiosidade, mas foi na prática, enfrentando desafios reais, que encontrei meu propósito: proteger, investigar, entender e evoluir.

Tudo começou quando cursei a disciplina de Redes de Computadores durante a graduação em Sistemas de Informação, um tempo depois cursei uma disciplina de Segurança da Informação despertou em mim uma curiosidade genuína. Aquela experiência foi suficiente para mudar completamente a forma como eu enxergava a tecnologia e, em 2022, dediquei meu Trabalho de Conclusão de Curso à cibersegurança.

Mas essa história começou muito antes da faculdade.

Começou com uma criança curiosa, com pouco acesso à internet e aos computadores, que estudava por apostilas usadas e aproveitava qualquer oportunidade para aprender. Eu era a aluna que permanecia no laboratório depois do horário para fazer perguntas aos professores e passava horas na biblioteca tentando entender como as coisas funcionavam. Hoje percebo que a curiosidade sempre foi o que guiou minha trajetória.

Ao longo da carreira, passei por diferentes áreas da tecnologia, aprendendo que segurança não existe de forma isolada. Ela depende de pessoas, processos, infraestrutura, estratégia e, principalmente, de uma cultura forte.

Hoje, lidero o time de Segurança da Informação da Cilia Tecnologia, com foco em fortalecer a cultura de segurança, infraestrutura, defesa cibernética, gestão de riscos, privacidade e conformidade. Meu trabalho vai além de proteger ambientes digitais: acredito que a segurança deve reduzir riscos sem impedir a inovação, tornando-se um facilitador para o negócio.

Sou movida pela ideia de que conhecimento só faz sentido quando é compartilhado. Por isso, participo ativamente de comunidades há muitos anos. Atualmente, coordeno a comunidade de cultura hacking e cibersegurança GynSec e lidero o AWS User Group Goiânia. São nesses espaços que encontro uma das maiores motivações da minha carreira: conectar pessoas, compartilhar conhecimento e fortalecer a comunidade de tecnologia.

Como mulher na tecnologia, conheço a importância da representatividade e do impacto que ela pode causar. Por isso, minha atuação vai além do aspecto técnico. Ensino, compartilho experiências, incentivo outras pessoas e continuo aprendendo todos os dias. Não há nada mais gratificante do que perceber o brilho nos olhos de alguém durante uma palestra ou evento, sabendo que, de alguma forma, despertei a mesma curiosidade que um dia despertaram em mim.

Minha formação em cibersegurança, aliada à experiência em infraestrutura, governança, compliance, privacidade e defesa em profundidade, além da vivência adquirida nas diferentes áreas pelas quais passei, sustenta minhas decisões e minha forma de enxergar a Segurança da Informação. Mas é na colaboração, na troca de conhecimento e na construção de comunidades que encontro minha maior inspiração.

No fim, meu propósito é simples: proteger pessoas, compartilhar conhecimento e inspirar mais profissionais, especialmente mulheres, a descobrirem que também existe um lugar para elas na tecnologia.

Acredito que conhecimento transforma vidas. Em uma sociedade onde a tecnologia ocupa um papel cada vez mais central, ensinar alguém a navegar com segurança é tão importante quanto ensinar a ler e escrever. Proteger pessoas começa muito antes de qualquer ferramenta ou tecnologia: começa pelo conhecimento.

Quando falamos em compartilhar conhecimento, também precisamos falar sobre o papel que a tecnologia ocupa na sociedade. Nunca tivemos tanto acesso à informação, mas isso não significa que todas as pessoas consigam acompanhar a velocidade da transformação digital.

Ainda convivemos com diferentes formas de analfabetismo digital. Muitas pessoas ficaram à margem dessa revolução, seja pela falta de acesso, de oportunidades, por questões geracionais, limitações de aprendizagem ou simplesmente porque nunca tiveram alguém disposto a ensinar.

Acredito que quem teve o privilégio de desenvolver essas habilidades também carrega a responsabilidade de compartilhá-las. Tornar a tecnologia mais acessível, mais compreensível e mais humana é uma forma de gerar impacto real. No fim, ensinar alguém a usar a tecnologia com segurança e confiança é muito mais do que transmitir conhecimento: é ampliar possibilidades, promover inclusão e transformar vidas.

Anny Ribeiro

Principais Competências

Resposta a Incidentes CrowdStrike Falcon Trellix LGPD Python OWASP Redes e Infraestrutura Hardware Documentação de Processos