Sábado de manhã. Dia de dormir um pouco a mais?
Não.
Dia de absorver conhecimento com o gênio Vinicius Senger, em mais um meetup da AWS User Group Goiânia.
Mais uma vez, o ecossistema de comunidades provando como esses encontros tornam nossos dias mais ricos e me fazendo sentir cada vez mais orgulho de fazer parte disso. É uma honra ser leader dessa comunidade.
Porque não é só sobre tecnologia. É sobre troca, conteúdos atuais, cases da vida real e provocações boas o suficiente para sair com a cabeça fervilhando de ideias.
O Senger trouxe um paralelo genial entre a evolução humana e a evolução tecnológica, passando pelo fogo, pela roda, pelo relógio, pelos primeiros computadores, até chegar nos robôs, na Inteligência Artificial e nos agents.
Assim como o fogo, a roda e o relógio ampliaram a capacidade humana, a IA vem ocupando esse papel de acelerar, simplificar e expandir o que conseguimos construir. Ela pode ser um braço a mais, uma forma de otimizar tempo, automatizar tarefas e abrir espaço para fazermos outras coisas.
Mas também falamos sobre um ponto que me marcou muito: talvez não exista "sabedoria artificial". Talvez nem inteligência, no sentido mais humano da palavra.
Existe processamento.
Existe automação.
Existe capacidade de gerar, organizar e operar.
Mas sabedoria ainda exige contexto, vivência, julgamento, responsabilidade e imprevisibilidade.
Se tem uma coisa que podemos dizer sobre a IA é que ela é, em grande parte, previsível. Ela prevê algo com base em dados, sim. Mas ela não sente, não decide, não pensa e não tem ideias inovadoras como nós temos. Ela responde com base em padrões, probabilidades e contexto fornecido.
Também falamos sobre agentes de IA: como construí-los, por que construí-los e, principalmente, para que construí-los.
E foi nesse ponto que conheci o conceito de selfware generation.
Em uma pesquisa rápida no Google, selfware se refere à criação de ferramentas digitais, scripts ou pequenas aplicações sob medida, geradas diretamente pelo próprio usuário final ou por empresas, usando Inteligência Artificial e vibe coding. A ideia é substituir, em alguns contextos, modelos genéricos de Software as a Service por soluções instantâneas, personalizadas e adaptadas à realidade de quem vai usar.
Mas, na visão de quem vive isso na prática, como o Senger, estamos basicamente no início de uma fase de "renascentismo tecnológico".
Uma fase em que qualquer pessoa, de qualquer área, sendo de tecnologia ou não, pode criar suas próprias aplicações.
E isso molda completamente o mercado.
Significa que as aplicações tendem a ser cada vez mais personalizáveis. O que vimos acontecer inicialmente com a IA, que hoje já aparece integrada em praticamente todas as ferramentas, também deve acontecer com os agents. Eles virão integrados às aplicações e permitirão que os próprios usuários adaptem, alterem e criem fluxos conforme suas necessidades.
Como, por exemplo, criar um filtro novo, automatizar uma tarefa específica ou montar uma pequena solução para um problema que só aquela pessoa, naquele contexto, conhece tão bem.
Também veio a provocação de que todo founder é um developer.
Ou talvez, olhando por outro lado, o empreendedor de hoje precise entender cada vez mais de construção, tecnologia e negócio.
E eu iria além: não só o empreendedor. Qualquer bom profissional precisa entender do negócio em que está inserido.
Quanto mais você entende do negócio, melhor você constrói soluções para as dores dele. E quanto mais você entende de tecnologia, mais autonomia você tem para transformar ideias em coisas reais.
Porque, no fim, só você consegue criar soluções realmente perfeitas para o seu dia a dia. Afinal, é você quem vive aquela experiência todos os dias. É você quem conhece as dores, os atalhos, os ruídos e os pequenos problemas que ninguém de fora enxerga com tanta clareza.
Saí com várias ideias na cabeça depois de ouvir como o Senger aplica tudo isso na vida real: automações para rotina, monitoramento de condições para praticar seu esporte favorito e reflexões sobre como o acesso aos dados hoje é algo cada vez mais importante.
E, nesse ponto, minha veia de Segurança da Informação gritou.
Porque ainda falta tanto.
Falta maturidade de segurança nas pessoas e nas empresas.
Falta governança.
Falta segurança.
Falta conhecimento.
Falta muita coisa.
Pelo jeito, a galera de cibersegurança, me incluindo aqui, ainda terá muito trabalho pela frente.
Porque permitir que pessoas de qualquer área construam aplicações não significa, automaticamente, que elas estão preparadas para lidar com todas as camadas envolvidas nisso.
Não significa que elas entendem como funciona um protocolo de internet.
Não significa que sabem proteger seus dados.
Não significa que sabem onde esses dados estão armazenados.
Muitas vezes, a pessoa nem conhece o conceito de banco de dados.
E tudo bem. A tecnologia está ficando mais acessível, e isso é incrível. Mas acessibilidade sem educação, segurança e responsabilidade pode abrir portas para riscos que as pessoas nem sequer conseguem imaginar.
Por isso, enquanto falamos sobre um futuro em que qualquer pessoa poderá construir suas próprias soluções, também precisamos falar sobre segurança, privacidade, governança, ética, legislação e consciência digital.
No fim, ficou o convite do Senger:
Vamos reconstruir os computadores juntos.
E eu acho que essa frase resume muito bem o espírito do encontro.
A tecnologia está mudando rápido. Mas o ponto mais importante não é só acompanhar essa mudança.
É vivê-la.
É participar dela.
É construir com responsabilidade.
E, principalmente, é entender que a tecnologia continua sendo feita por pessoas, para pessoas.